Por que João Pessoa?

Luciano de Oliveira

Luciano de Oliveira

25 de agosto de 2026

Por que João Pessoa?

Quando eu era criança, detestava a praia. Me incomodava o calor e os efeitos do sol na minha pele. Se viajava pro litoral, preferia ficar no quarto com ar-condicionado, que desagradava a meus pais. O açude do sítio do meu avô, lá onde eu ignorava o sol, era muito melhor.

No primeiro carnaval que passei morando no Rio de Janeiro, passei a gostar de praia e de carnaval. Desejava o arder do sol como se nunca tivesse sido aquela criança que buscava sombra. O banho de mar, gelado, o mate, gelado, o vento, gelado, todos eu gostava de tomar.

Em 2025, me mudei de volta para Campina Grande. Tinha me cansado do Rio depois de cinco anos. Conheci pessoas e lugares inesquecíveis, mas depois de um tempo senti que não tinha mais o que aprender. Queria sentir como era viver onde cresci, mas agora equipado de um novo eu.

Campina me devolveu o que eu entreguei pra ela nesse tempo: não muito. Mesmo sentindo um forte pertencimento, não me animei com o que a cidade tinha pra oferecer. O que eu tinha a oferecer, a cidade não estava pronta para aceitar.

Esse ano e meio perto das pessoas que mais amo foi maravilhoso por esse aspecto. Por outro, foi quando eu senti uma parte minha secando. A parte que tinha crescido com o movimento, com a brisa, com o caos. O forró, na terra do Maior São João do Mundo, penei pra encontrar.

Quando as pessoas me perguntam por que estou me mudando para João Pessoa, a primeira resposta é que planejava isso desde antes. Não deixa de ser verdade. Antes de ir pro Rio, o plano que tinha era passar um tempo lá e voltar para João Pessoa. Mas essa não pode ser a explicação completa, não pra mim.

A capital paraibana das belas praias não carece de razões para alguém querer morar nela. Essas razões ganharam o mundo e o fluxo de pessoas entrando na cidade tem até se tornado problema, que estou indo lá acentuar. Me atrai a ideia de um lugar assim, procurado.

Tem algo sobre novos começos que sempre me encantou. Por mais que as mudanças deem muito trabalho, estou na sexta e todas foram feitas com ânimo. Minha vó fala: “pedra que muito rola não cria lodo”, que eu nunca sei se lodo é bom ou ruim nesse caso, mas prefiro acreditar que é ruim.

Sob o risco de estar sendo ingênuo, acredito que estão pela frente as melhores descobertas da minha vida. Viver num local turístico, com gente que chega pra ficar e quem vai pra nunca mais, tem seus prazeres. Estou procurando pessoas que estão procurando pessoas.

Buscando uma outra transformação, eu quero continuar sendo moldado em solo paraibano, com água quente do mar e um pouco de caos. Se essa fase vai me satisfazer por muito tempo… eu tenho certeza de que não.

Enquanto tento chegar à explicação que me agrade, tenho caixas vazias no quarto em que estou e preciso fechá-las. Quando alguém me perguntar por que estou me mudando, estou convencido do que responder. É pela praia.

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